Taiza Tosatt Eleoterio aborda o que é resiliência emocional sob a ótica da psicanálise

Andres Montelva
Por Andres Montelva
Taiza Tosatt Eleoterio

Segundo a psicanalista Taiza Tosatt Eleoterio, resiliência emocional costuma ser definida como a capacidade que uma pessoa desenvolve de atravessar situações difíceis sem perder completamente sua estrutura emocional, mantendo a possibilidade de se reorganizar internamente mesmo diante de perdas, frustrações ou experiências de sofrimento intenso. Diferente do que muita gente imagina, não se trata de “não sofrer” ou de permanecer indiferente diante das dificuldades, mas sim de conseguir elaborar essas experiências ao longo do tempo, sem que elas paralisem a pessoa de forma permanente.

Esse conceito costuma ganhar ainda mais relevância quando aplicado a mulheres que atravessaram relacionamentos marcados por abuso ou violência doméstica, já que a reconstrução emocional, nesses casos, exige um processo mais longo e cuidadoso de elaboração.

Resiliência não é ausência de dor

Um dos maiores equívocos sobre resiliência emocional é associá-la à ideia de força absoluta ou à capacidade de seguir em frente sem demonstrar fragilidade. Na prática, acontece o contrário: pessoas emocionalmente resilientes costumam ser justamente aquelas que conseguem reconhecer sua própria dor, nomear o que sentem e buscar apoio quando necessário, em vez de reprimir ou negar o sofrimento vivido dentro de um relacionamento tóxico ou de uma situação familiar difícil.

Essa capacidade de reconhecer e nomear o sofrimento costuma ser o primeiro passo para que a pessoa consiga, aos poucos, reorganizar sua vida emocional e retomar o controle sobre suas próprias escolhas.

Como a resiliência se constrói ao longo da vida?

A resiliência emocional não é uma característica fixa com a qual a pessoa nasce, mas sim algo que se constrói e se fortalece ao longo da vida, especialmente a partir das relações significativas que ela estabelece desde a infância. Um ambiente familiar estável, mesmo que não seja perfeito, costuma oferecer uma base mais sólida para o desenvolvimento dessa capacidade, enquanto ambientes marcados por instabilidade emocional ou violência doméstica tendem a dificultar esse processo, exigindo um esforço adicional de reconstrução na vida adulta.

Taiza Tosatt Eleoterio pondera que, mesmo nos casos em que a infância foi marcada por dificuldades importantes, ainda é possível desenvolver recursos emocionais mais saudáveis ao longo da vida, principalmente quando a pessoa tem acesso a um acompanhamento terapêutico que a ajude a compreender e elaborar essas experiências.

O papel do apoio externo na construção da resiliência

Nenhum processo de fortalecimento emocional acontece de forma completamente isolada. Taiza Tosatt Eleoterio orienta que contar com uma rede de apoio comunitário, seja formada por familiares, amigos próximos ou profissionais especializados, costuma fazer uma diferença significativa na forma como a pessoa atravessa momentos de crise e reconstrói sua própria estrutura emocional depois de um período de sofrimento intenso.

Esse apoio externo não substitui o trabalho interno de elaboração, mas funciona como um suporte importante, que ajuda a pessoa a não se sentir sozinha diante das dificuldades enfrentadas, especialmente quando o processo envolve a saída de um relacionamento abusivo ou a reorganização da vida após uma separação marcada por sofrimento.

Resiliência emocional e reconstrução após o abuso

Para mulheres que vivenciaram relacionamentos abusivos, desenvolver resiliência emocional costuma estar diretamente ligado ao processo de reconstrução da autoestima e à retomada da confiança em suas próprias percepções, muitas vezes abaladas por longos períodos de manipulação ou desvalorização dentro da relação.

Taiza Tosatt Eleoterio sugere que esse processo seja respeitado em seu próprio tempo, sem pressa e sem comparações com a trajetória de outras pessoas, já que cada história tem suas particularidades e exige um ritmo próprio de elaboração e cura emocional.

Sinais de que a resiliência emocional está se fortalecendo

Alguns sinais costumam indicar que uma pessoa está desenvolvendo mais resiliência emocional ao longo do processo terapêutico: a capacidade de pedir ajuda sem sentir vergonha disso, a diminuição gradual da autocrítica excessiva diante de erros ou recaídas, e a percepção de que é possível sentir tristeza ou raiva sem que essas emoções tomem conta de todas as decisões do dia a dia. Também é comum que a pessoa passe a estabelecer limites mais claros em suas relações, reconhecendo com mais facilidade situações que a fazem mal e se permitindo se afastar delas quando necessário.

Taiza Tosatt Eleoterio observa que esses sinais costumam aparecer de forma gradual, muitas vezes imperceptível no dia a dia, e por isso é importante que a pessoa não espere mudanças bruscas ou imediatas, valorizando cada pequeno avanço percebido ao longo do caminho.

Um processo contínuo, não um destino final

Taiza Tosatt Eleoterio conclui que a resiliência emocional não deve ser entendida como um ponto de chegada definitivo, mas sim como um processo contínuo, que se fortalece a cada nova experiência elaborada com consciência. Reconhecer essa construção gradual costuma ajudar as pessoas a terem mais paciência consigo mesmas, entendendo que momentos de fragilidade não anulam todo o caminho percorrido até ali, e que o empoderamento feminino, nesse contexto, se constrói justamente na soma dessas pequenas conquistas diárias.

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