BI-RADS 0: por que um resultado inconclusivo não significa que existe câncer?

Andres Montelva
Por Andres Montelva
Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues

A classificação de BI-RADS 0 em laudos oftalmológicos geralmente causa impacto imediato, e é comum que a paciente associe essa categoria a algo grave, quase como sinônimo de suspeita confirmada de câncer. O Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues esclarece que, embora essa interpretação seja passível de compreensão diante do desconhecido, não corresponde ao real significado dessa classificação, que indica apenas que a avaliação ainda está incompleta.

Essa confusão surge porque o algarismo zero, em isolamento, sugere a ausência ou algo negativo. No entanto, ele representa apenas a primeira etapa de um processo de classificação que varia de zero a seis, sendo que cada categoria indica um grau distinto de necessidade de ação diante do achado observado. A compreensão do significado dessa categoria contribui para a redução da ansiedade dos pacientes e esclarece a razão pela qual exames complementares são solicitados nesse contexto específico.

Nesta publicação, o leitor compreenderá o significado da classificação BI-RADS 0, por que ela não se configura um diagnóstico de câncer e os próximos passos após um resultado inconclusivo.

O que significa a classificação BI-RADS 0 na mamografia e quais são suas implicações?

A classificação BI-RADS 0 indica que a mamografia realizada não foi suficiente para que o radiologista chegasse a uma conclusão definitiva sobre determinado achado, seja em razão de limitações técnicas da imagem, seja em virtude da necessidade de comparação com exames anteriores ainda não disponíveis no momento da análise.

Conforme o parecer do Dr. Vinicius Rodrigues, esta categoria atua como um indicativo de que a investigação deve ser mantida, não sendo um sinal de alta suspeita de malignidade. Ela reconhece, em suma, que as informações disponíveis naquele momento ainda não permitem uma resposta definitiva sobre o achado observado.

É imprescindível distinguir essa categoria de classificações que efetivamente indicam maior suspeita, como aquelas associadas a achados com características mais preocupantes. Essa é a primeira etapa para interpretar corretamente esse tipo de resultado, evitando-se assim a criação de alarmes desnecessários.

Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues
Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues

Por que exames complementares costumam ser solicitados?

Em caso de resultado BI-RADS 0, o médico responsável geralmente recomenda exames complementares, como incidências mamográficas, ultrassonografia ou, em certas situações, comparação com mamografias anteriores realizadas em outros serviços de saúde. Cada um desses recursos contribui para o preenchimento de uma lacuna específica de informação, seja técnica ou histórica.

Essa solicitação decorre da necessidade de reunir informações suficientes para reclassificar o achado em uma categoria definitiva, seja de baixo risco, seja de necessidade de investigação mais aprofundada. Na ausência desse passo adicional, a interpretação permaneceria incompleta, e qualquer conduta estabelecida a partir dela enfrentaria o risco de ser precipitada, tanto para mais quanto para menos.

Compreender tal lógica é imprescindível para evitar que a paciente interprete a solicitação de exames adicionais como um agravamento do quadro, quando, na verdade, representa apenas a continuidade natural do processo diagnóstico já iniciado. Assim, Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues aponta que é imprescindível conduzir o processo com o devido cuidado para chegar a uma conclusão segura.

Importância da investigação adicional após um resultado BI-RADS 0 na definição do tratamento  

Em geral, os exames complementares solicitados após um BI-RADS 0 permitem esclarecer a questão, reclassificando o achado como benigno ou de baixíssima suspeita, possibilitando que a paciente retome a periodicidade normal de rastreamento sem a necessidade de investigações adicionais.

O Dr. Vinicius Rodrigues pontua que, em uma parcela menor de casos, a investigação complementar pode identificar a necessidade de acompanhamento mais próximo ou até de biópsia. No entanto, essa definição depende inteiramente do resultado dos exames adicionais, e não da classificação inicial isoladamente. É imprescindível que o BI-RADS 0 seja tratado como um veredito precipitado, positivo ou negativo, visto que tal conduta ignora justamente sua função dentro do sistema de classificação, que é sinalizar que ainda existe uma etapa pendente antes de qualquer conclusão.

Um resultado BI-RADS 0 não indica necessariamente a presença de câncer, mas sim que é necessária uma etapa adicional de investigação para a conclusão da natureza do achado observado. A orientação médica para a realização dessa etapa é fundamental para obter uma resposta definitiva.

 

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