Estudo publicado na The Lancet Global Health mostra que quase um terço da população mundial não atinge o nível mínimo recomendado de atividade física
Uma dúvida comum entre quem pretende voltar a se exercitar é quanto de atividade física já é suficiente para reduzir riscos reais à saúde. Um estudo conduzido por pesquisadores da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado na revista científica The Lancet Global Health, ajuda a responder essa questão ao mostrar a dimensão do problema em escala global. A análise, baseada em dados coletados entre 2010 e 2022, apontou que cerca de 31% da população adulta mundial fica aquém dos níveis recomendados de atividade física, o que representa aproximadamente 1,8 bilhão de pessoas que praticam menos de 150 minutos semanais de atividade moderada ou 75 minutos de atividade intensa. O recorte brasileiro do problema também preocupa especialistas, que apontam o sedentarismo como um dos principais fatores de risco modificáveis para doenças do coração no país. Afya
O que o sedentarismo causa no organismo a médio e longo prazo
Segundo a OMS, o sedentarismo está relacionado a um conjunto amplo de doenças crônicas, incluindo problemas cardiovasculares, diabetes tipo 2, demência e alguns tipos de câncer, como o de mama e o de cólon. No Brasil, um levantamento baseado em dados da The Lancet Global Health apontou que 47% da população adulta vive de forma sedentária, número que ajuda a explicar o avanço de condições como hipertensão, obesidade e síndrome metabólica mesmo entre pessoas jovens. Cardiologistas reforçam que jovens sedentários apresentam taxas mais elevadas de hipertensão, diabetes e instalação precoce de doença coronária quando comparados a jovens fisicamente ativos, o que derruba a ideia de que os riscos do sedentarismo só aparecem na meia-idade ou na velhice.
Entre os sinais de alerta de que o coração pode estar sofrendo os efeitos da inatividade estão falta de ar ou cansaço diante de esforços que antes eram tolerados sem dificuldade, além do aumento progressivo nas taxas de glicose, colesterol e pressão arterial. Especialistas explicam que a falta de movimento regular afeta diretamente o funcionamento do coração, dos vasos sanguíneos e do metabolismo, criando um ambiente propício ao desenvolvimento de doenças que, em muitos casos, poderiam ser evitadas com mudanças relativamente simples de rotina.
Como sair do sedentarismo sem exagerar logo no início
A boa notícia, segundo especialistas que estudam o tema, é que não é preciso atingir de imediato o volume ideal de exercício para começar a colher benefícios. A orientação para adultos sedentários costuma incluir caminhadas curtas, de dez a quinze minutos, praticadas de três a cinco vezes por semana, além do hábito de se levantar a cada 30 ou 60 minutos para quebrar longos períodos sentado. Exercícios de força simples, como agachamentos apoiados em uma cadeira e elevações de panturrilha, também são recomendados como ponto de partida, já que ajudam a preservar massa muscular e mobilidade sem exigir equipamentos ou ambiente especializado.
Para pessoas com dor no peito, falta de ar intensa, tontura, histórico de doença cardíaca ou outras limitações relevantes, a recomendação médica é buscar avaliação profissional antes de iniciar qualquer programa de exercícios mais intensos. O mesmo cuidado vale para quem convive com obesidade, diabetes, hipertensão ou dor crônica, situações em que o acompanhamento individualizado ajuda a definir frequência, intensidade e tipo de atividade mais seguros para cada caso. A OMS reforça que a atividade física deve ser encarada como parte do cuidado em saúde, e não apenas como uma escolha estética, já que cerca de cinco milhões de mortes por ano poderiam ser evitadas globalmente caso a população se movimentasse mais.
Os dados da OMS deixam claro que o problema do sedentarismo já não pode ser tratado como exceção, e sim como uma realidade que atinge quase um terço dos adultos no planeta. Pequenas mudanças de rotina, sustentadas com regularidade, aparecem como o caminho mais seguro para reverter esse quadro, especialmente quando combinadas a acompanhamento médico para quem já apresenta fatores de risco. Antes de iniciar qualquer programa de exercícios, a recomendação segue sendo a mesma: procurar orientação profissional para adequar o plano às condições individuais de saúde.
Fontes consultadas:
https://portal.afya.com.br/endocrinologia/18-bilhao-de-pessoas-estao-sob-risco-de-saude-devido-ao-sedentarismo-diz-oms
https://www.rededorsaoluiz.com.br/noticias/artigo/sedentarismo-como-a-falta-de-exercicio-aumenta-o-risco-de-infarto-e-doencas-do-coracao
